quinta-feira, 15 de abril de 2010

SOMINCOR - NEGOCIAÇÕES PROSSEGUEM

Os trabalhadores das minas de Neves-Corvo, em Castro Verde, decidiram no último domingo conceder um prazo à administração da Somincor, até sexta-feira, para a conclusão das negociações sobre as reivindicações dos mineiros.
«As questões principais das negociações têm de ser as que estiveram na origem da greve, o subsídio de fundo e a compensação do dia de Santa Bárbara», disse Jacinto Anacleto, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM), depois do último plenário de trabalhadores, realizado em Aljustrel.
«Os trabalhadores estão disponíveis para negociar tudo o que está na agenda da empresa, mas é fundamental a questão do subsídio de fundo», frisou o sindicalista.
Neste plenário os trabalhadores mostraram grande disponibilidade para voltar à greve, caso as negociações não sejam bem sucedidas.
Novo plenário de trabalhadores está já marcado para o próximo domingo, dia 18.
Recorde-se que os mineiros Somincor estiveram em greve 43 dias, uma das mais longas que há memória, sempre com grande adesão.

sábado, 10 de abril de 2010

RUPTURA (ainda a propósito da Grécia)

Há mais ou menos um ano atrás os governos dos países da União Europeia nacionalizaram os prejuízos do grande capital, desligaram este dos compromissos e das dívidas para com o pequeno e médio capital, e utilizaram à grande e à francesa os dinheiros públicos para “salvar o sistema financeiro”, cortando nas despesas sociais e no investimento público e ocasionando uma drástica subida da dívida pública e dos défices orçamentais. Agora, eis que o mesmo “sistema financeiro” vem junto dos Estados mais débeis, cujos governos, para já, o “salvaram” do colapso, exigir, tostão a tostão, as dívidas vincendas, montando uma enorme operação especulativa sobre os défices públicos. Ainda por cima, tal “sistema financeiro” pretende responsabilizar os povos desses países pelos seus crimes e negociatas e forçar esses mesmos povos a pagar em dobro, mediante aumentos galopantes nos respectivos juros, os serviços das dívidas que tais governos lhes impuseram.

O caso da Grécia é apenas o mais recente e brutal exemplo desta realidade. Com uma dívida acumulada de cerca de 290 mil milhões de euros e com um défice nas contas públicas de cerca de 13 por cento do PIB, o Estado grego é constantemente levado a contrair novos empréstimos para refinanciar a dívida, tendo de o fazer a juros cujas taxas são constantemente aumentadas. Sob a pressão dos actuais e potenciais credores e dos órgãos da União Europeia, e sem nunca pôr em causa as regras viciadas do jogo em que se vê envolvido, o governo grego fez aprovar no parlamento brutais medidas de austeridade, logrando aumentar ainda mais a taxa de desemprego e comprometendo qualquer possibilidade de desenvolvimento. Amarrado à moeda única europeia e ao “Pacto de Estabilidade e Crescimento” assinado como condição de adesão ao euro, o Estado grego não mais conseguirá sair da espiral dramática em que foi introduzido pelas classes dominantes europeias, incluindo a sua própria.

O resultado imediato da “falência” do Estado grego é a sua “nacionalização” pelos países que dirigem a UE, com um papel destacado da Alemanha. Em lugar de tomarem, entre outras, uma medida tão simples como seria a instituição de títulos de dívida europeus a uma taxa única e comum para todos os países que os emitissem, medida esta que só por si eliminaria aquela situação de “falência”, as classes capitalistas europeias e o Estado alemão, o qual emerge claramente como a face visível do “Estado europeu”, pretendem servir-se do caso grego para impor a chamada “união política europeia” e o “governo económico europeu”, ou seja, para legitimar e institucionalizar a condição de protectorados europeus e alemães aos países mais pobres e dependentes da UE.

A situação da Grécia apresenta muitas semelhanças com o caso português. Em ambos os casos o novo governo, saído de eleições realizadas na mesma altura (Outono passado), é dirigido por um partido “socialista” e está a perpetrar uma violação em toda a linha das suas propostas e programas eleitorais. Do mesmo modo, ambos funcionam como meras correias de transmissão dos ditames da UE e do grande capital financeiro sobre os respectivos povos.

Há que colocar sob o controlo das massas trabalhadoras e das suas organizações os sistemas financeiros de cada país, assim como os sectores básicos da economia. Impõe-se uma moratória imediata sobre o serviço da dívida, de forma a colocar todos os recursos ao serviço de novos modelos de desenvolvimento, a responsabilizar quem o tem de ser pelo pagamento dessa dívida e a renegociar todos os compromissos externos, com particular destaque para os que decorrem da participação na UE.

Uma ruptura? Sim. Mas não há outro caminho!

CITAÇÃO SEM COMENTÁRIOS...

«Os alemães é que disseram que querem expulsar quem não cumprir com as regras. Devo dar-vos um conselho, a vós, portugueses: não sejam neutros neste assunto. Vocês são as próximas vítimas.»

Theodoros Pangalos (número dois do Governo da Grécia, em entrevista  esta semana ao «Jornal de Negócios»)

FUTEBOL FEMININO NO JAMOR

O Estádio Nacional recebe hoje, durante todo o dia, um festival dedicado à promoção do futebol feminino. A iniciativa integra-se na final da Taça de Portugal, a qual é jogada pela primeira vez no relvado principal do Estádio do Jamor. A final tem lugar pelas 16 horas, com entradas gratuitas. Defrontam-se as equipas femininas do União 1º. de Dezembro e do Boavista FC.
O tempo está bom, a sugestão aqui fica.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

LUTA DOS MINEIROS DA SOMINCOR

No passado dia 1, os mineiros da Somincor (Minas de Neves-Corvo) decidiram suspendar a greve que durava desde o dia 16 de Fevereiro. A administração da empresa dispôs-se a negociar as reivindicações apresentadas.Os trabalhadores reivindicam um aumento de cem euros no subsídio de fundo (atribuído aos trabalhadores que trabalham no fundo da mina) e “o pagamento dos 50 por cento em falta da compensação do dia de Santa Bárbara” (padroeira dos mineiros) de 2009, bem como “a garantia do pagamento da compensação na totalidade este ano e nos próximos anos”.
Foram 43 dias de greve, 2 horas no início de cada turno, nos quais os trabalhadores, honrando as tradições de luta do sector mineiro, permaneceram sempre firmes no combate.

As negociações iniciaram-se na última quarta-feira, às 14 horas, na sede da Somincor, em Castro Verde e, tanto quanto sabemos, continuam em curso. No próximo domingo os trabalhadores reunem para análise do processo negocial.

É extremamente importante esta luta. Ela tem que sair vitoriosa!

terça-feira, 6 de abril de 2010

DESEMPREGO JOVEM NA GRÉCIA... E O INEVITÁVEL SOARES!

- A taxa de desemprego juvenil na Grécia deverá atingir até final deste ano os 28 por cento, segundo estudo recentemente divulgado pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
«A probabilidade de um jovem grego se encontrar no desemprego de longa duração é duas vezes maior do que para os seus homólogos na maioria dos países da OCDE», refere ainda o estudo daquela organização.
A OCDE considera que esta situação resulta «do nível relativamente elevado dos custos de mão-de-obra e das regras de despedimento muitos rígidas». Só que existe um facto que a OCDE escamoteia: o facto de os salários dos jovens gregos serem dos mais baixos de toda a União Europeia…

- Hoje, em artigo inserto no «Diário de Notícias», o Dr. Mário Soares, defendendo a necessidade de um «novo modelo de desenvolvimento», aparece-nos a dizer que, face à crise actual, «não é o capitalismo que está em causa» (onde é que já ouvimos isto e quantas vezes?!...)… O que está em causa, segundo ele, é a «ética» e a «desregulação»
Como se existisse ética no capitalismo e a desregulação não fosse a bíblia do mesmo!
O que é evidente, mais uma vez, é que o Dr. Soares tem medo, como sempre teve, de outra coisa: da revolução! Medo como o Diabo (com ou sem «novo modelo de desenvolvimento») tem da Cruz!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

«LIBERDADE» - um poema de Paul Éluard

LIBERDADE

Nos meus cadernos de escola
Na minha carteira e nas árvores
Nos areais e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel cinza
Escrevo o teu nome

Sobre as imagens douradas
Nos estandartes guerreiros
Tal como na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Nas selvas e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome

Nos meus farrapos de azul
No pântano sol alterado
No lago luar vivente
Escrevo o teu nome

Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome

Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos de muitas cores
Sobre a verdade da física
Escrevo o teu nome

Nas veredas bem despertas
Nos caminhos descerrados
Nas praças que se extravasam
Escrevo o teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Nas minhas casas unidas
Escrevo o teu nome

No fruto partido em dois
do meu espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata sem jeito
Escrevo o teu nome

Na soleira desta porta
Nos objectos familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome

Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome

Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome

Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome

Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome

E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear

Liberdade

Paul Éluard (França, 1895-1952)